A Amazônia em perigo

*Manoel Soriano Neto

O “Mapa Amazônia Brasileira-2009” contém importantes informações acerca da Amazônia Legal Brasileira, como as “áreas protegidas”, que são as Terras Indígenas (TIs) e as Unidades de Conservação (UCs), em cuja biodiversidade encontra-se o maior banco genético do planeta. Além da floresta amazônica, a Amazônia Legal é também integrada por 37% do Cerrado e por 40% do Pantanal Mato-grossense.

O que causa espanto é a enorme quantidade de UCs (309 Unidades de Conservação, federais e estaduais) e de TIs (vivem nessas Terras, 173 “povos indígenas”, aí computando-se as colossais reservas das “orelhas” do estado de Roraima, em faixa de fronteira, riquíssimas em minérios estratégicos, alvos da cobiça de potências hegemônicas). Aduza-se que no dito mapa, a representação das “áreas protegidas”, vem detalhada quanto à extensão e reconhecimento das TIs, bem como ao uso e restrição, no que se refere às UCs.

Já nos referimos, em artigo anterior, à parceria que os índios de Roraima, ligados ao CIR (Conselho Indigenista de Roraima), querem estabelecer com o espúrio MST - que não possui registro legal -, para plantação de arroz, após a expulsão dos arrozeiros da Reserva Raposa Serra do Sol, mercê da desastrosa e antipatriótica Decisão do STF, demarcando de forma contínua, a citada Reserva. Ora, caso se concretize tal pretensão, em vista dos atos vandálicos e criminosos perpetrados em todo o Brasil pelo mencionado Movimento (recentemente, destruíram, no interior de São Paulo, além de bens alheios e maquinário, sete mil laranjeiras, como antes haviam destruído, no sul do País, material de anos de pesquisas científicas vinculadas à agricultura), corremos sérios riscos de ameaça à Soberania Nacional, com convulsões sociais no mais novo e pobre estado da Federação, que autoridades governamentais pensam que foi pacificado, após amplamente difundida a visão romântica e idílica dos Ministros de nossa Suprema Corte a respeito dos aborígines brasileiros. E mais: soubemos, há pouco, que os índios estão se organizando para aumentar, nas eleições de 2010, a sua ainda fraca representação política. A FUNAI, que os apóia nesse intuito, afirma que existem mais de 700 mil indígenas (dos quais 150 mil são eleitores), em todo o território nacional, divididos em 220 etnias (que podem se transformar em “nações indígenas”, registre-se o óbvio) e falando 180 línguas. Na última eleição municipal, os índios elegeram seis prefeitos e mais de noventa vereadores em várias regiões do País. No estado de Roraima (Uiramutã e Normandia), foram eleitos prefeitos da etnia tribal macuxi – que pugnou pela demarcação contínua da RRSS; e em São Gabriel da Cachoeira (AM), onde 95% da população são de origem índígena, o prefeito, o vice-prefeito e todos os vereadores são índios. Um maior protagonismo político será buscado nas próximas eleições e a intenção é que sejam eleitos no mínimo cinco deputados federais e significativa representatividade nas Assembléias Estaduais (em quatro estados - Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima -, onde estão mais bem organizados, eles pretendem lançar candidatos a deputado federal e estadual). Tudo isso evidencia, à larga, que o índio brasileiro não é mais o ingênuo e “bon sau-vage”, a que se referia Jean-Jacques Rousseau, nem o “coitadinho”, como os antropólogos da FUNAI, os vêm tratando. Que o diga, a parceria que desejam estabelecer, na RRSS, com o famigerado MST.

O Governo vem condenando a instalação de bases ianques na Colômbia e a reativação da IV Frota estadunidense, com justa razão, eis que se afigura, seja qual for o pretexto, humilhante e constrangedora, a ingerência militar extrarregional na América do Sul; porém, incoerentemente, não condena a cada vez mais estreita ligação Venezuela-Rússia, marcada, inclusive, pela compra venezuelana, de farto material bélico russo. Ademais, nossas autoridades vêm tolerando as políticas entreguistas do aparato am-bientalista/indigenista, que estimula a imposição de uma soberania limitada, restrita ou compartilhada, em Estados Nacionais Soberanos. Eis aí a contínua criação e demarcação de reservas indígenas para poucos índios, pois eles precisam “deambular”, como preleciona a antropologia da FUNAI (os índios do Brasil já ocupam reservas - algumas gigantescas e junto às fronteiras - que englobam 13% do espaço territorial brasileiro!) e onde atuam ONGs predadoras e espiãs, verdadeiros “exércitos irregulares”, estipendiadas por países centrais. Isso atende pelo nome de “etnonacionalismo”, que vem sendo estimulado, na América do Sul, após a aprovação, pela ONU, da Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, com o vexatório voto do Brasil.

Destarte, a Amazônia continua a correr perigo, eis que passos largos estão sendo dados para a sua internacionalização.

Urge, pois, máxime nos dias de hoje, que não esqueçamos da altiva resposta (quando da Questão de Palmas) do Barão do Rio Branco ao plenipotenciário argentino, que aludia à enorme extensão territorial do Brasil: “Senhor! Um palmo de terra que seja, em sendo brasileiro, deve ser defendido, pelos brasileiros, a ferro, a fogo e a sangue”! Quanta saudade do Barão...

*Cel Manoel Soriano Neto – Historiador Militar

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