A proteção da Amazônia

*Manoel Soriano Neto

No distintivo do Comando Militar da Amazônia (CMA) são exibidas a Cruz de Cristo, representativa da expansão lusitana para a conquista da região, na relembrança das memoráveis expedições de Antônio Raposo Tavares e de Pedro Teixeira, e a espada heráldica, símbolo de Comando. Nele também encontramos uma cabeça de onça pintada “caracterizando a imensa selva amazônica e o indômito sentimento de brasilidade em sempre guardá-la e defendê-la” e a legenda “Amazônia”, vocábulo emblemático que nos faz lembrar, de forma permanente, da mais extensa e potencialmente rica região do Brasil, árdua e valorosamente conquistada por nossos antepassados”. Não apenas na inspiração e na descrição heráldico-vernacular deste belo distintivo, a Liga da Defesa Nacional, fundada por Olavo Bilac, única entidade brasileira volvida exclusivamente para a prática do civismo, escolheu os seus dois últimos lemas. São eles: “Amazônia, Ocupação, Defesa e Guarda” e o atual - “Amazônia, Patrimônio do Povo Brasileiro”.

Traçadas essas considerações, podemos afiançar que as Forças Armadas, em especial o Exército Brasileiro, encontram-se atentos e vigilantes quanto à proteção da Amazônia brasileira. Neste intuito, devemos destacar, por muito relevante, o “Plano Amazônia Protegida” (PAP), com a finalidade de preservar a soberania nacional sobre aquela imensa área, na garantia de que a  Amazônia tem dono e é “patrimônio do povo brasileiro”, como vem propalando, por todo o Brasil, a já mencionada e benemérita Liga da Defesa Nacional. Um conjunto de ações estratégicas foi estabelecido com vistas a uma nova articulação das Organizações Militares do Exército. Está prevista a implantação de 28 Pelotões Especiais de Fronteira (e a modernização dos atualmente existentes), a melhoria do atendimento médico-odontológico, a construção e reforma de pistas de pouso, a aqui-sição de novos meios de transporte, armamentos e equipamentos de avançada tec-nologia, etc, etc, objetivando o aumento da mobilidade das tropas e uma melhor qualidade de vida para a família militar. Diga-se que as forças do Exército vêm proporcionando a defesa e guarda da imensa faixa de fronteira, por meio de ações de cobertura e vigilância estratégicas – missões, em especial, dos Pelotões de Fronteira -, sendo que o aprofundamento do dispositivo defensivo é encargo das tropas de emprego regional e das forças de emprego estratégico do Exército. Tal dispositivo propicia uma pronta resposta quando de uma real ameaça, bem como uma reação de maior vulto, se necessário, até pelo uso da “estratégia da resistência”, em caso de invasão de nação ou de coalizão de nações hegemô-nicas. Tais ações são imprescindíveis, máxime nos dias atuais, em face das crescentes tensões entre a Venezuela (que vem comprando farto material bélico dos russos) e a Colômbia, que acaba de assinar um nebuloso acordo com os EEUU, o qual permite a ocupação, pelos norte-americanos, de sete estratégicas bases colombianas. Acrescente-se, por oportuno, que outras vinte bases (aéreas ou de radar, as “forward bases”) estão, de há muito, instaladas desde as Antilhas Holandesas, no Caribe, ao Para-guai, no “arco amazônico de oeste”, a par da reativação da IV Frota estadunidense. Tal ingerência militar extrarregional na América do Sul nos é ameaçadora e assaz humilhante, sejam quais forem os pretextos alegados.

Acerca da “caótica” política indige-nista (frise-se que estão sendo avençadas parcerias entre os índios de Roraima e o espúrio MST, para a plantação de arroz), lembremos de que tudo começou há dezoito anos, com a demarcação da colossal Reserva Ianomâmi, na faixa de fronteira, contígua a uma outra reserva, em território venezue-lano. À época, os que a isso se opuseram, foram tachados de “nacionalisteiros, “delirantes paranóicos” e outros desairosos apodos... E foram e continuam sendo criados, em descomunais reservas indígenas, verdadeiros “jardins antropológicos à semelhança de jardins zoológicos”, no dizer do acadêmico Hélio Jaguaribe, consoante a política segre-gacionista da FUNAI, contrária à integração pacífica do índio à comunidade brasileira. A esse respeito, gostaríamos de recomendar o recém-lançado livro “Mato Grosso da Sul – Conflitos Étnicos e Fundiários”, de autoria do Dr Hildebrando Campestrini, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul. A competente obra aborda a problemática indígena naquele estado, desfazendo mitos e falácias amiúde difundidos. No capítulo IX, “A Cobiça Internacional”, o autor  afirma: “É inquestionável que os olhares do mundo estão voltados para o Brasil e, de modo especial, para algumas regiões escolhidas por três motivos fundamentais: a) por serem reservas ambientais, como a Amazônia e o Pantanal Mato-Grossense; b) por possuírem reservas estratégicas, como minerais altamente valorizados ou mesmo água; c) por apresentarem alto potencial de desenvolvimento agrícola e pecuário, concorrendo, com bons preços e qualidade, com fornecedores internacionais”. O livro pode ser solicitado ao autor, pelo e-mail: hcampestrini@uol. com.br, indicando-se o endereço para remessa.

*Coronel e Historiador Militar

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